Com referências que vão de The Strokes à Fontaines D.C., artista é novo nome do indie rock nacional
Com referências que vão de The Strokes à Fontaines D.C., artista é novo nome do indie rock nacional

Normalmente, as turnês de divulgação de novos discos acontecem logo após o lançamento. No entanto, Otto Dardene, idealizador do projeto Ottopapi, preferiu fazer diferente: o artista decidiu cair na estrada antes mesmo de o álbum de estreia chegar às plataformas. O objetivo era conquistar o público no palco, uma etapa fundamental da trajetória artística que acaba não recebendo a devida atenção de muitos músicos.
Foi assim que nasceu a primeira sequência de shows do álbum Bala de Banana, lançado oficialmente em março de 2026 pela Seloki Records. Com influências que vão de The Strokes a Fontaines D.C., o trabalho é um prato cheio para quem sente falta de novas bandas de indie rock nacional.
A divulgação da obra não parou por aí. Com o disco na rua, a Ottopapi agora se prepara para uma nova fase na estrada, desta vez ao lado de Dinho Almeida, vocalista da banda Boogarins, com a +Um Tour. A circulação conta com sete apresentações, passando por São Paulo (Cine Cortina), Sorocaba (Asteroid), Belo Horizonte (Autêntica), Goiânia (Shiva), Brasília (Infinu), Uberlândia (Espaço Uberbrau) e Campinas (Lola Bar).
Em entrevista ao Rota Indie, Otto detalhou suas percepções sobre a recepção do disco, o processo de composição e a intensidade das performances ao vivo nessa nova fase.
Como foi o processo de composição do disco?
“Eu tinha músicas paradas, levemente encaminhadas, e estava sentindo a necessidade de de voltar a me divertir com música, no palco, tocar rock, simples, rápido, agitado. Mas foi um período de muito aprendizado, ficar mais ali por trás com a Seloki. Foi importante também para chegar com mais certeza e fazer Ottopapi mais direitinho.”
De onde vieram as principais inspirações?
“Eu queria fazer uma música que eu gostaria de ouvir. É misturado dentro de um certo lugar, um indie rock com todas as suas vertentes, todas as suas possibilidades. São músicas que eu queria ouvir e que simplesmente aconteceram. Várias ali não saíram, essas foram as que fizeram sentido para compor o disco. Foi só divertido fazer, sem quebrar muito a cabeça.”
Como foram os shows do disco?
“Os shows foram ótimos. Ao vivo as pessoas ficavam elogiando, falando: ‘sua estratégia de lançamento foi foda.’ Não teve estratégia, show é a resposta.”
Temos um quadro que se chama “explicando faixas”. Pode escolher alguma para destrinchar para a gente?
“Vou falar da música Pó Poeira. Eu queria fazer uma música como uma do Fontaines D.C, Boys in the Better Land. É bem parecida, por sinal. Até hoje eu fico sem saber direito o que essa música está falando. Só foi um descarrego ali, encontrando palavras para entrar naquela melodia e naquela métrica. É meio desconexo para mim, mas acho que em algum lugar dá um sentido de coragem. Eu estava precisando de coragem para assumir que eu ia realmente fazer isso, lançar esse disco.
Porque, no final, final tudo vira pó e poeira, então não tem que quebrar muito a cabeça sobre as coisas. E o Chuck, que é produtor do disco, falou: ‘Essa música é sobre coragem.’ E cada pessoa que foi me falando sobre o que cada música era, também me ajudou muito a entender sobre o que era o disco, que até então eu não sabia exatamente o que eu estava fazendo. Eu falei muito com os meus amigos, meus parceiros, minha família, para me ajudar a entender.”
Você já foi chamado de “it boy” da música indie. Qual é a sua opinião sobre esse apelido?
“Eu sou mesmo (risos). Mas, falando sério, o termo ‘it boy’ parece que se refere a uma coisa momentânea. Mas esse momentão está durando muito. E vai durar mais.”
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