mais um dia lança “sem ressentimentos” e analisa cena autoral fluminense

Influenciada pelo emo noventista, shoegaze, dream pop e math rock, banda de São Gonçalo (RJ) disponibiliza trabalho de estreia

A banda mais um dia estreia, nessa sexta-feira (10), seu primeiro EP sem ressentimentos. Da região metropolitana do Rio de Janeiro, eles são influenciados pela melancolia gerada pela rotina intensa do antigo polo industrial fluminense, encontrando na música uma forma de descomprimir e expressar seus sentimentos. 

Ao Rota Indie, Elton Souza, Gabriel Costa, Guilherme Evangelista e Lucas Rato falaram sobre o novo projeto e as iniciativas ligadas à música autoral no estado. Após um trabalho com instrumentais longos e em idioma estrangeiro, a nova proposta da banda é trazer uma abordagem mais direta para conectar-se com o público. 

Com produção de Matt Nunes no Estúdio Mojo, os vocais seguem uma abordagem narrativa, emocional e um tanto vulnerável, quase como conversas internas transformadas em música, enquanto os instrumentais transitam entre camadas densas de guitarras, passagens etéreas e momentos minimalistas.

Entre os temas abordados estão a repetição dos dias, o consequente desgaste físico e mental, a necessidade de encerrar ciclos e a possibilidade de recomeço. O título referencia justamente essa necessidade de seguir em frente mesmo com as marcas deixadas pelo tempo, pelas relações e pelo cotidiano.

Cena independente carioca

O surgimento de bandas jovens no estado chama a atenção e é vista com entusiasmo pela mais um dia. “Nos últimos anos, a cena independente do Rio de Janeiro tem se mostrado muito diversa, com bandas explorando diferentes sonoridades e encontrando, aos poucos, espaço para desenvolver seus próprios trabalhos.”

“O crescimento de projetos ligados ao chamado ‘rock triste’ mostra que existe um público interessado em músicas mais introspectivas. Cada banda acaba encontrando sua própria identidade dentro desse universo, e é justamente essa pluralidade que torna a cena tão interessante”, continuaram.

Ainda assim, a banda percebe a necessidade de ampliar a coletividade na cena. “Acreditamos que ainda há muito a ser conquistado por meio de uma maior aproximação entre os artistas. Muitas vezes, os projetos acabam circulando em grupos mais fechados, quando poderia haver mais intercâmbio, colaboração e abertura entre bandas, produtores e espaços culturais. Quanto mais essa troca acontecer, mais forte, diversa e acolhedora a cena tende a se tornar.”

Segundo os músicos, o cenário independente da região metropolitana tem sobrevivido pela insistência coletiva, com destaque para estúdios improvisados, bandas formadas entre amizades e eventos em pequenos espaços remanescentes, já que estão longe dos grandes centros culturais. 

Apesar de existirem muitos bares dedicados a bandas de tributo, as iniciativas dedicadas à música autoral se fazem presentes. “O NEU, em Niterói, desempenha um papel importante como estúdio e ponto de encontro para eventos autorais, aproximando produtores, artistas e público. O Barricada, que começou como coletivo e hoje também atua como selo, vem fortalecendo a cena ao abrir espaço para shows e outras manifestações artísticas. Mais recentemente, a Ácido Gato também tem contribuído nesse processo, dando suporte à produção de eventos musicais e realizando shows em parceria com o Estúdio Salvação e a casa Gentalha”, listaram.

Na capital, não apenas as casas, mas também as produtoras contribuem para o fortalecimento do circuito de bandas alternativas. “No Rio, a tradicional Audio Rebel, o Escritório, iniciativas como o Banda de Casinha e a Via B. Produções, em parceria com a Vizinha 123, além das produções do selo Alterego, também cumprem um papel fundamental ao promover eventos e ampliar a circulação de artistas independentes.” 

“São ações como essas que ajudam a conectar pessoas, criar oportunidades e manter a cena em movimento. Quanto mais essas iniciativas se multiplicarem e dialogarem entre si, mais oportunidades surgem para quem está começando e para o fortalecimento da música independente como um todo”, explicaram.
A mais um dia foi idealizada por Elton Souza e desenvolvida com Gabriel Costa, Guilherme Evangelista e Lucas Rato, músicos ligados às bandas The Wonderful Now e Lunoz. 

Suas referências incluem grandes nomes do emo e shoegaze em diálogo com nomes nacionais do rock alternativo e nova MPB. Eles citam American Football, Death Cab for Cutie, Toe, TTNG, Title Fight, Empire! Empire! (I Was a Lonely Estate), Prawn, Delta Sleep e Movements, além dos brasileiros Menores Atos, Terno Rei, Raça, Gorduratrans, Rodrigo Amarante, Cícero e a abordagem vocal da Quarto do L.

Edit Template

© 2026 Todos os direitos reservados