Sem recorrer à nostalgia, disco autointitulado expande a sonoridade da banda enquanto reafirma a identidade construída nos primeiros lançamentos
Sem recorrer à nostalgia, disco autointitulado expande a sonoridade da banda enquanto reafirma a identidade construída nos primeiros lançamentos

A Ludovic lança, nessa sexta-feira (31), seu aguardado terceiro álbum, homônimo. Primeiro disco de inéditas em 20 anos, o projeto marca o reencontro da banda paulistana com uma sonoridade que resgata a urgência dos primeiros lançamentos, mas amplia seus horizontes com elementos mais sofisticados.
Logo no início, A Ebulição do Não Dito introduz o trabalho com um instrumental minimalista, mas carregado de tensão, que serve de prelúdio para a explosiva Desde Que Eu Morri, primeiro single da nova fase. Nas faixas seguintes, o grupo transita entre momentos de fúria e introspecção. Os novos arranjos exploram sintetizadores e efeitos que vão além da distorção característica da banda, enquanto as composições preservam o tom poético e confessional já conhecido pelo público.
O álbum atravessa temas como reencontros, despedidas, luto, poder, capitalismo e autoconhecimento. Ao contrário dos primeiros lançamentos, o processo criativo foi marcado pela coletividade, com maior colaboração entre os músicos. A obra foi gravada, mixada e masterizada por Fernando Sanches no Estúdio El Rocha e lançada pela Balaclava Records.
Já a capa, sob o olhar de Júlia Aluar, mantém a estética sombria já conhecida da banda e aposta no minimalismo de uma chama para representar a dualidade entre a delicadeza e a potência, como um feixe de luz que avança solitário e convicto em meio à escuridão.
O novo projeto foi composto e gravado entre 2025 e 2026, enquanto a banda aquecia os motores com apresentações ao vivo. O show de lançamento em São Paulo será no dia 14 de agosto durante o festival SPIM, quando eles dividem o palco da Casa Rockambole com a Jovens Ateus.
Fundada em 2000 por Jair Naves (voz, baixo, violão, sintetizadores), a Ludovic passou por algumas formações até se estabelecer com Eduardo Praça (guitarra) e Zeek Underwood (guitarra e voz). Mesmo com o sucesso, a banda paulistana anunciou o fim das atividades em 2008. Os integrantes contribuíram com uma série de projetos: Jair consolidou sua carreira solo; Eduardo seguiu à frente da Apeles e da Quarto Negro; e Zeek Underwood passou pelas bandas Shed, Mudhill, Reffer e Single Parents. Para o retorno, eles passaram a contar com Rodrigo Montorso na bateria.
Até então, o último disco lançado pela banda era Idioma Morto, de 2006, referência no cenário underground brasileiro. Eles retornaram brevemente em 2017 com o single Inexorcizável (Um Zumbido Ensurdecedor), mas a decisão de compor um trabalho mais extenso veio após o reencontro em 2024, durante um show de comemoração dos vinte anos do primeiro álbum, Servil.
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