eliminadorzinho desbrava o Brasil na maior turnê de sua carreira

Trio fala sobre renovação da cena independente e os aprendizados da “eternatour,”

A eliminadorzinho é, antes de qualquer coisa, uma banda sobre amizade. Na estrada há dez anos, é essa união que os mantém seguindo em frente entre quilômetros rodados, apresentações ao vivo e desafios de viver da música independente. 
Em um dos momentos mais importantes de sua trajetória, eles estão viajando com a “eternatour,”, que celebra o álbum eternamente,, eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como um dos 100 melhores discos de 2025. 

Ao Rota Indie, Gabri Eliott, João Haddad e Tiago Schützer falaram sobre a maior turnê de sua carreira, percepções sobre a cena independente e planos para o segundo semestre.

A primeira fase da tour, realizada em 2025, focou no Centro-Oeste e no Sudeste. Na segunda etapa, iniciada em abril, eles fizeram uma bateria de 17 shows pelo país, começando no Nordeste e seguindo até o Sul do país. Entre as cidades visitadas estão Salvador, Feira de Santana, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Guarulhos, Taubaté, Niterói, Rio de Janeiro, Blumenau, Curitiba, Maringá, Londrina, Mogi das Cruzes e São Paulo.

“Foi a nossa primeira turnê corrida, digamos assim, em termos de ficar mais de uma semana fora de casa. Já tínhamos feito várias turnês em finais de semana, mas essa foi realmente a maior até agora. Eu sinto que a gente virou ainda mais a eliminadorzinho depois dessa turnê”, disse Eli.

No segundo semestre, a banda viaja até Goiânia para o festival Bananada. “Vamos pro Bananada no dia 23 de agosto, domingão para fechar aquele festival irado. Fizemos uns quarenta mil shows agora no primeiro semestre e a ideia é fazer mais quarenta mil no segundo. Anunciamos até Mogi das Cruzes, mas tem muito mais shows até o final do ano. Estamos marcando, inclusive nos chame para as cidades”, contou Haddad.

Eles também falaram sobre o cenário independente em cada cidade visitada, com destaque para o público jovem que se juntou à comunidade nos últimos anos. “Acho que a cena alternativa de todas as cidades que fomos acaba sendo muito parecida, especialmente depois da pandemia. Por mais que a gente tenha rodado muito mais, eu sinto que antes tinham algumas pessoas da nossa idade ou um pouco mais velhas, com mais de 30 anos, mas hoje em dia é muita molecada.”

“A cena tá muito muito bem povoada por pessoas muito jovens, o que é ótimo porque significa que tem uma longevidade, uma renovação da base. E todo mundo sempre muito animado, dá para ver que curtem esse tipo de música diferente”, completou.

Apesar do movimento parecido, o alto custo de viajar com turnês para fora do Sudeste cria diferenças nas cenas. “Como tem menos artistas que vão para lá, quase todos os artistas são unanimidade entre as pessoas dos shows. Lógico que a gente tem uma mesma cena e um som parecido, mas tinham muitas camisetas do Vitor Brauer e da Chococorn And The Sugarcanes, inclusive merch das turnês do Vitor ao longo dos anos. A galera acaba ficando realmente muito mais fã das bandas que vão para lá, porque não é toda banda que vai. Aqui a gente já vê uma diversidade maior de camisetas porque tem mais shows. Foi muito divertido ver isso.”

Para Gabri, a diversidade também está cada vez mais presente na cena. Iniciativas como listas trans, que disponibilizam determinada quantidade de ingressos dos shows para pessoas queer, ajudam a incentivar a presença desse público nos ambientes de música alternativa.

“Quando a gente começou, era muito raro você ter qualquer banda que não fosse de um homem cis branco, hétero. Mas, a cena está cada vez mais trans. Em todos os shows da turnê do Nordeste, pelo menos uma pessoa era trans ou não-binária.”
“O pessoal do Assim Assado fez uma matéria sobre nós dizendo que o nosso público era formado por ‘meninas muito animadas, homens meio perdidos e todo tipo de não-binariedade que você pode imaginar’. Sinto que é o que a cena está virando: mesmo as pessoas que têm uma expressão de gênero mais tímida estão experimentando mais. É uma coisa muito massa dessa nova geração”, notou Eli.

Para finalizar, ela deixou um conselho para a nova geração trans. “Mas, eu acho que ainda é pouco. Quero ver cada vez mais trans tocando instrumentos, cantando nas próprias bandas, enfim, fazendo música. Eu acho que faz muita diferença. Se você é trans e quer tocar, mas não sabe como: você sabe, sim, pega o instrumento e faz barulho, uma hora você vai conseguir. É muito mais fácil do que parece”, sugeriu.

4 recomendações por Gabri Elliot

Midnight Soup Opera (Aracaju - SE): “As pessoas de São Paulo precisam conhecer. Tocamos com eles no Nordeste e são muito bons. Se você gosta de Black Country New Road, Black Midi, é, Sonic Youth, você precisa conhecer. Eles precisam vir para São Paulo em breve, inclusive.”

Starly Kind (Estados Unidos/Brasil): “Hoje vamos tocar juntos, é uma pessoa não-binária que eu admiro muito. Ele lançou EP lindo agora em abril.”

Bijoux Cone (Portland, Estados Unidos): “Também tocamos juntos em fevereiro ou março. É uma artista muito foda dos Estados Unidos que toca um indie pop perfeito, um dos melhores shows que a gente já viu e foi uma honra enorme cantar com ela.”

Boasorte (Presidente Prudente - SP): “Tem essa banda muito foda também, estamos animados para ver o que eles vão fazer agora nos próximos próximos meses.”

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