Sexto álbum da banda baiana celebra a passagem do tempo, o amor e a permanência
Sexto álbum da banda baiana celebra a passagem do tempo, o amor e a permanência

Com 11 faixas autorais, Maglore lança, nessa quinta-feira (14), seu sexto álbum de estúdio, Fluxo Natural. Quatro anos depois do disco V, o novo registro mergulha no conceito do amor que atravessa o tempo e apresenta uma banda mais madura, com certeza do caminho que quer trilhar.
Como o próprio nome adianta, as canções refletem sobre a passagem do tempo, a natureza e as experiências humanas, encontrando no fluxo da vida uma possibilidade de seguir adiante. O disco é atravessado por imagens de rios, mar, luar, chuva e sol, ao mesmo tempo em que aborda temas como fé, infância, futuro e a capacidade de transformar situações adversas. “Existe um microuniverso do pensamento brasileiro que talvez estejamos perdendo, mas que escolhemos trazer pra esse disco”, comentou Teago Oliveira.
Seguindo a identidade que consolidou o grupo baiano, a sonoridade traz influências de indie, rock, folk e MPB, principalmente dos anos 1980 e de um pouco da década de 1970. As faixas começaram a ser desenvolvidas em 2025 e foram gravadas entre maio e abril deste ano no Estúdio Kapa, na casa do vocalista.
Em atividade desde 2009, a banda formada por Teago Oliveira (voz e guitarra), Lelo Brandão (guitarra e teclado), Lucas Gonçalves (voz e baixo) e Felipe Dieder (bateria) celebra o lançamento de mais um projeto que reafirma a continuidade da trajetória do grupo e sua presença na música brasileira contemporânea.
Um dos destaques do disco é Para Lô, que homenageia Lô Borges (1952 - 2025). Composta por Lucas Gonçalves e Carime Elmor, a faixa referencia a canção Trem azul (1972) e ganha arranjos inspirados nos discos de Caetano Veloso da década de 1980. O diálogo com a obra do mineiro também aparece em Farol e Palestina nos Seus Olhos, ambas compostas por Teago.
"Filosoficamente, o álbum escapa do niilismo porque ele recusa o vazio de sentido. Em vez de concluir que nada importa, ele encontra sentido justamente no fluxo, nessa coisa que vai nos levando. O álbum também tem como ideia o pensamento de 'sobreviver ao tempo', mas da melhor forma que conseguimos, consigo e com o mundo, com propósito de seguir esse fluxo. Isso reflete um pouco a história da própria banda, que está em atividade contínua por quase 20 anos", completou o vocalista.
Em uma proposta minimalista, a capa do disco traz um fundo preto com quatro cores que representam os raios de luz e as emoções. Enquanto o espaço vazio e os formatos geométricos reforçam a densidade e a rigidez, as cores, que transitam do quente ao frio, introduzem luminosidade e movimento à imagem. A capa é assinada por Teago Oliveira e também carrega uma representação dos quatro integrantes da banda. “Também pode representar os quatro integrantes da banda como construção do tempo, quatro linhas contínuas e paralelas, cada uma com sua própria cor.”
Sul-Americano, por Lucas Gonçalves e Carime Elmor: “Foi inspirada na história de Ney Matogrosso e tem como tema a coragem, sobretudo em tempos gris. É sobre um sul-americano que luta para perder o medo de sonhar e busca força na própria história para ganhar o mundo, apesar das adversidades.”
Farol, por Teago Oliveira: “É a temática central do álbum. Apresenta a filosofia completa de ‘deixar perder, deixar estar’ e também faz um convite para ‘deixar o menino sonhar’. Serve como guia conceitual para vários outros momentos do disco.”
Palestina Nos Seus Olhos, por Teago Oliveira: “É uma das faixas mais densas. Contrasta guerra, impérios e destruição com o amor que permanece. Tem momentos íntimos (café, ninar) e um tom de resistência emocional. Retrata o sentimento de quem vive em meio a uma guerra injusta, como o massacre da Palestina, ao tempo que lança esperança de dias melhores baseando-se no afeto cotidiano.”
Sonho Real, por Teago Oliveira: “Mergulho no amor como portal para outra realidade. Questiona a fronteira entre fantasia e vida real (Eu não sei se quero acordar / Ou me perder num sonho real). Traz uma lírica onírica e romântica.”
Raio de Sol, por Lucas Gonçalves: “Uma balada romântica sobre a possibilidade de viver um amor para sempre, fazendo uma metáfora com os movimentos de rotação da terra, como nos dias em que é possível ver a lua diurna dividindo o céu com o sol.”
O Rio e O Mar, por Teago Oliveira: “Uma reflexão sobre o tempo, memória, saudade e o reencontro inevitável. O encontro predestinado pela pessoa amada, mesmo tendo que esperar uma vida inteira, e um amor que continua mesmo depois da ausência.”
Amor Sci-Fi, por Teago Oliveira: “Clímax de transformação. Fala dos tempos atuais de maneira fictícia, onde a pessoa perde tudo: casa, corpo, história, e descobre libertação no risco e no momento presente. Ao mesmo tempo, tem uma atmosfera futurista, é também carnal e possui um arco de redenção.”
Para Lô, por Lucas Gonçalves e Carime Elmor: “Trata-se de um poema abstrato conduzido por versos de contraste lírico, em que aparece a frase ‘pôr do sol que vai num trem azul’, homenageando os compositores Lô e Márcio Borges. No disco, a música ganhou um arranjo inspirado na fase dos anos 80 de Caetano Veloso.”
Tudo Bem, por Teago Oliveira: “Fala de aceitar as fases ruins e oferece conforto em meio a um mundo complicado. É uma balada oitentista de autocompaixão, para ouvir quando se está de saco cheio de tudo.”
Curva de Trivela, por Teago Oliveira: “Metáfora sobre futebol e as dificuldades da vida. Celebração da boa malandragem, da vida como jogo. Transformação da lama em algo grandioso, frutífero. Uma música que fala sobre correr por fora em tempos de holofotes escassos, um comportamento cotidiano para o brasileiro.”
Caravelas, de Lucas Gonçalves e Gustavo Galo: “Música de Lucas Gonçalves e letra em parceria com Gustavo Galo, da Trupe Chá de Boldo. O poema, iniciado por Galo, descreve a paisagem de um dia de verão nas praias da Bahia, boiando na baía ou em alto mar, vendo as ondas se formarem como montanhas feitas de água.”
© 2026 Todos os direitos reservados