Review: Reality Awaits – The Strokes

Sétimo álbum da banda foi lançado em 24 de julho; veja análise

Em 2026, a banda nova-iorquina The Strokes retornou ao mundo da música com seu sétimo álbum de estúdio, que se tornou um divisor de águas para os fãs. O disco Reality Awaits é futurístico, político e abre uma nova porta de possibilidades para o grupo, que parece estar pronto para abandonar a euforia do indie rock e arriscar novos estilos musicais e arranjos.

O disco foi gravado na Costa Rica, produzido por Rick Rubin e lançado pela RCA Records. Segundo o produtor, a escolha do local criou uma experiência de gravação intimista que fez a banda sentir “como se performasse para o oceano todos os dias.” A obra possui um bom entrosamento entre os membros do grupo – Albert Hammond Jr. (guitarra e teclado), Fabrizio Moretti (bateria), Julian Casablancas (vocais), Nick Valensi (guitarra) e Nikolai Fraiture (baixo) – e mistura new wave, rock alternativo, eletrônico, apostando em experimentalismos.

Além da fuga do indie rock clássico e explosivo apresentado em trabalhos anteriores, o que mais chama a atenção é o uso de autotune em quase todas as faixas, característica muito presente no outro projeto musical de Julian, a banda The Voidz. A escolha por esse modelo fez com que o instrumental impecável – marcado por ótimos riffs de guitarra – ficasse escondido e coberto pela voz do vocalista, fazendo com que as músicas perdessem seu potencial acústico. De maneira geral, a banda parece ter trocado suas prioridades sonoramente, o que gerou um estranhamento por parte do público.

As composições são o ponto alto do disco. Muitas delas são narrativas que abordam temas políticos e criticam a sociedade capitalista de maneira irônica, como em Going Shopping, no verso: “I wanna be a 7-foot zombie; The pay is low but I gotta do somethin’”. Em Psycho Shit, Julian denuncia o imperialismo e guerras sangrentas – a banda já realizou um manifesto no festival Coachella ao se posicionar contra os ataques – e cria espaço para letras divertidas e sem nexo, como no verso: “I don’t care who turns blue; as long as it’s not you; Fuck me under the moon.”

Outras letras abrem espaço para autoanálises profundas, como em Falling Out Of Love, onde Julian reflete sobre relacionamentos, solidão e maturidade. Em Liar’s Remorse, o grupo critica o uso de inteligência artificial no verso: “We can have all the things you want, okay; listen to AI tell you what to do today.”Com quase 30 anos de atividade – afinal, o aclamado disco Is This It completa 25 anos em 2026 –, o The Strokes conseguiu construir algo que poucos artistas com o mesmo tempo de carreira têm: estar em alta. Por isso, eles não sentem a obrigação de realizar um disco redondo ou pensado para agradar a crítica ou os fãs, que em sua maioria desejam algo parecido com o que foi feito no início dos anos 2000.

O próprio sucesso estrondoso de The New Abnormal (2020), o sexto álbum do grupo, os deixa em uma posição mais confortável, com liberdade para errar e ousar. No fim do dia, a banda consegue lançar um disco que atinge seu objetivo principal: ser reproduzido e comentado pelo público, mas sem perder a autenticidade.

Ranking

Going To Babble On
Dine N’Dash
Lonely in the Future
Liar’s Remorse
Falling out of Love
Going Shopping
Psyco Shit T
yrants of the Mellow Moon
The Fruits of Conquest

Nota: 6/10

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