A banda paulistana abriu o coração em “Enquanto o Mundo Dorme”, gravado madrugada adentro da acelerada São Paulo
A banda paulistana abriu o coração em “Enquanto o Mundo Dorme”, gravado madrugada adentro da acelerada São Paulo

Caio Silva (guitarra), Marcos Marques (guitarra), Paula Janssen (bateria), Eduardo Campos (baixo) e Gabe Jordano (vocal) formam a Turmallina, banda que promete chacoalhar a cena indie. Eles acabam de estrear com Enquanto o Mundo Dorme.
Foi frequentando rolês pela Casa do Mancha, Breve e outros espaços da cena que o grupo foi formado, lá em 2018, pelo interesse em comum de fazer um som mais ligado ao shoegaze, dream pop e emo. “Eu, Marcos e Edu formamos a Turmallina, muito inspirados na Lupe de Lupe, eliminadoriznho, Terno Rei e gorduratrans”, explica Caio.
Os esotéricos sabem que a turmalina é um poderoso talismã. Cada variedade da pedra tem uma cor e um significado, mas, de modo geral, o cristal é associado à proteção. Foi a partir desse universo que surgiu o nome da banda: Caio, que é geólogo, fotografou seus cristais favoritos no museu da faculdade e, juntos, escolheram a turmalina para representá-los.
A banda percorreu um longo caminho até o lançamento de Enquanto o Mundo Dorme, sendo gestado por quase dois anos e gravado no pós-expediente e fim de semana. A Turmallina levanta a bandeira de “continuar fazendo arte apesar de uma rotina corrida”, algo que muita gente se identifica. Quando pergunto a banda o que os motiva a continuar no ritmo frenético eles dizem que vivem entre o “sonho, rebeldia e um pouco de esperança”.
“Viver de arte sempre foi meu maior objetivo, mas, eu tenho o pé no chão e sei que não é simples, principalmente para quem veio da periferia. Me deprime pensar em passar a minha vida toda trabalhando num escritório, faço música porque é o que me mantém vivo”, reflete Caio.
Paula completa: “Tenho 30 anos e me sinto rebelde por insistir na música, mas não tenho como fugir. É o que me faz sentir bem e realizada”. Eduardo brinca: “Quem precisa de 6 horas de sono? [risos]”.
As madrugadas também tiveram seu lado bom: “A gente deu muito rolê junto, muitos shows, muitas noites viradas trocando figurinhas com bandas de amigos, batendo papo com o Rafa [Penna, produtor do álbum] no balcão do bar da Porta Maldita, e tantos outros amigos e colegas que trabalham para fazer a cena acontecer”, diz Caio.
E, como correr atrás dos sonhos também é político, a faixa homônima define esse sentimento: “Quando Gabe surge com a letra da música que dá nome ao disco, pra mim foi um estalo, tudo fazia sentido com o que a gente tava criando e o que nós estávamos dizendo com as nossas músicas. Estávamos falando sobre nós, sobre viver nessa cidade, sobre trabalho, sobre sobreviver no capitalismo, sobre amar no capitalismo”, diz Caio.
O senso de coletividade também se reflete na composição: “Ao longo de todo o processo a gente sempre prezou por compor as músicas de maneira coletiva, e isso fez a gente criar uma ótima conexão musical, eu e Marcos, por exemplo, a gente sabe exatamente como encaixar as guitarras um com o outro”, diz Caio.
“Enquanto o Mundo Dorme” foi o momento das primeiras vezes. “Meu primeiro estúdio! Totalmente marinheira de primeira viagem. Então foi um processo de muito crescimento e amadurecimento como artista e baterista”, diz Paula. Gabe concorda: “Essa é minha primeira banda autoral, primeira vez gravando, foi tudo muito novo e incrível. Acho que gravar músicas que eu participei da composição foi a melhor parte”.
Para dar vida a esse projeto, os integrantes enxergam a parceria com Rafael Penna, o produtor, como essencial, como relembra Marcos: “Foi mágico! Rafa deu pitaco em todos os instrumentos e camadas possíveis necessárias para a banda, deu muito certo. O quanto de reverb bizarro ia passar, mas o Rafa falava “precisa de tudo isso mesmo?” e no final não precisava mesmo! E mesmo assim os sons saíram gigantes”.
Os sons que foram referência para o grupo foram: Slow Pulp, Momma, Twen, Melody’s Echo Chamber, DIIV, Tame Impala, Wild Nothing e Beach House e os brasileiros Adorável Clichê e Boogarins. Com o disco no mundo, a banda quer colocar o pé na estrada. A turnê, batizada carinhosamente de “TOURmallina”, segue em preparativos.
“Queremos lançar um novo EP, em um futuro próximo, manter a roda girando”, diz Caio. “Com o álbum risquei alguns itens da listinha de sonhos e objetivos para cumprir antes de morrer! É divertido demais botar arte no mundo e ver as pessoas se identificando, ainda mais quando a gente escreve coisinhas tão pessoais. É uma autorrealização muito mágica”, finaliza Caio.
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