Resenha: Phoebe Bridgers – Lost Weekend (2026)

Terceiro álbum da artista foi lançado em 14 de agosto; veja análise

Em 2026, Phoebe Bridgers anunciou sua nova era com o disco Lost Weekend. Antes do lançamento, a artista apresentou algumas das faixas do trabalho por meio de apresentações intimistas – tão secretas que foram anunciadas em cima da hora e não permitiam o uso de celulares – gerando curiosidade por parte do público, que não conseguia ter nenhum spoiler sobre o conteúdo do álbum.

Quando Lost Weekend enfim foi lançado, em 14 de agosto, as expectativas estavam altas por conta dos shows que fugiram do convencional e também por ser o primeiro disco após um longo hiato da artista. Felizmente, elas foram atingidas. O disco foi aclamado pela crítica e ficou na primeira posição das paradas britânicas. Phoebe celebrou a nova fase anunciando shows em planetários dos Estados Unidos e da Europa, combinando com a estética esotérica do álbum. Um dólar de cada ingresso vendido na América do Norte vai para a RAINN (The Rape, Abuse & Incest National Network), maior organização americana de combate à violência sexual. Na Europa e no Reino Unido, o equivalente em euro ou libra irá para a PLUS1, uma instituição de suporte às vítimas de violência sexual. 

O álbum é o primeiro trabalho solo da artista em seis anos. Em 2020, Phoebe lançou Punisher: um disco profundo, irônico e melancólico que foi muito bem recebido na época. De lá para cá, muita coisa aconteceu: a pandemia de Covid-19, o término com o ator Paul Mescal, o romance com Bo Burnham e o falecimento do seu pai, com quem ela possuía uma relação complexa. Sua morte precoce – aos 60 anos – fez com que a artista deixasse diversas mensagens a ele ao longo de Lost Weekend. É o caso da faixa “Still Standing”, na qual Phoebe escreve: “I can’t imagine you dead. But you are, everyday”. 

O disco também fala de amor, como em “Bobby”: “Now you’re walking around with my heart in your sleeve”. Ele também reflete sobre a chegada dos 30 anos e a passagem do tempo. “Turning twenty-one; I'm not, but I was once... ”, diz um trecho da faixa “Kill Me”. Em “Haunted”, ela se coloca como uma pessoa sentimental: “I don’t have secrets, only feelings”. 

Bridgers não deixa de fazer referências a faixas clássicas do rock, como em “Lost Weekend”, na qual ela diz: “I fough the wall and the wall won”, uma referência à faixa “I Fought The Law”, da banda The Bobby Fuller Four, que diz: “I fought the law and the law won".  

É interessante perceber que ela também segue o mesmo padrão de “espelho” que está presente em seus outros trabalhos. A primeira e a última faixa – “The Outside” e “Lost Weekend (Reprise)” – se completam. Elas falam sobre o luto e contêm melodias parecidas, estáticas. 

Lost Weekend une sonoridades do indie pop e do folk misturadas com sintetizadores, gaitas e algumas distorções de voz que criam uma atmosfera melancólica, contemplativa e reconfortante, que combina com a voz delicada da artista. Há músicas com apenas os instrumentais, que convidam o ouvinte a imergir no disco com profundidade, criando uma ambientação mística que combina com a estética mergulhada na penumbra, com feixes de luz azulados.

O álbum conta com participações de Julien Baker e Lucy Dacus – com quem Phoebe dividiu os palcos em 2023 por meio do supergrupo boygenius – nas faixas “Haunted” e “Lost Boys”. Além delas, também participam do disco  Cameron Winter – em “I Can’t Wait” e “Kill Me” – e Nick Zinner, do Yeah Yeah Yeahs, nos arranjos de guitarra. A faixa-bônus do disco, “Best Dressed”, lançada apenas nas versões físicas, conta com a participação de Isaac Wood, ex-vocalista da banda Black Country, New Road. A produção ficou por conta dela mesma,  Tony Berg, Ethan Gruska  – que participam dos trabalhos da artista desde 2020 –  Jack Antonoff e Alex G.

Ainda é cedo para dizer, mas Lost Weekend deve cumprir com excelência a responsabilidade de ser um sucessor aclamado de Punisher. É um disco redondo, com colaborações de peso e que trabalha as emoções da artista de maneira aberta e até um pouco eufórica. Agora, é torcer para que Phoebe Bridgers traga os elementos do álbum para as suas apresentações ao vivo e que o show seja tão catártico quanto nos fones de ouvido.

Ranking

Bobby
I Can’t Wait
The Governors Waltz
Never Going Back!
As Above
Kill Me
Haunted
Lost Weeknd
Liberty Tree
Still Standing
Panorama
Lost Boys
Lost Weekend (Reprise)
Lost Parade
The Outside
Other Plans

Nota: 9,5/10

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