Entre sentimentos, experiências e música: conheça Mazza

Em conversa com o Rota Indie, artista piauiense fala sobre seu processo criativo, referências e a relação entre suas vivências e a música

Transformar sentimentos em música é uma das principais formas encontradas por João Mazza para se expressar. Com letras que transitam por experiências pessoais e interpretações subjetivas, o artista vem construindo sua identidade musical enquanto experimenta diferentes caminhos dentro da composição.

Natural de Teresina, Piauí, Mazza lançou, em 5 de junho, seu EP mais recente, Quem Vai Nos Dizer, trabalho que reúne faixas como “Eu Não Sei Dançar” e “Anoitecer”. Nas canções, o artista explora diferentes maneiras de falar sobre sentimentos, deixando espaço para que cada ouvinte também encontre seus próprios significados nas letras.

Atualmente em São Paulo, onde aproveita a estadia para gravar um novo projeto, Mazza vive um momento de descobertas e novos caminhos em sua trajetória. Em entrevista ao Rota Indie, o artista fala sobre o processo de transformar sentimentos em composição, suas referências musicais, a relação entre aquilo que escreve e as interpretações do público, além dos próximos passos de seu trabalho.

Para Mazza, uma música não termina necessariamente quando é finalizada. A partir do momento em que chega ao público, ela também passa a fazer parte das experiências de quem a escuta — e é justamente nessa possibilidade de diferentes interpretações que o artista encontra uma das partes mais interessantes de fazer música.

"Todas as minhas composições são baseadas muito em sentimento, gosto de externar as coisas que sinto, mas também coisas que podem ser sentidas por um outro alguém.”

Essa relação entre experiência pessoal e identificação aparece de forma ainda mais evidente em “Eu Não Sei Dançar”. A faixa parte de uma situação bastante particular para falar sobre a disposição de se arriscar por alguém e experimentar aquilo que, inicialmente, não parece fazer parte de nós.

“Realmente não sou muito bom de dança e quis fazer uma brincadeira com isso, mas ela [a música] surgiu do sentimento de querer estar com alguém a ponto de se arriscar a fazer coisas novas, coisas com que você não é muito bom de lidar (no meu caso, dançar), mas acho que vale pra qualquer coisa. Por exemplo, tem pessoas que já me contaram que se identificaram com a faixa no sentido de que aprender a dançar seria aprender a amar, o que também conta. É uma música subjetiva que eu atribuí um significado, mas que pode ter um significado diferente dependendo de quem escuta e o que ela sente.”

 É justamente essa liberdade de interpretação que faz com que a música ultrapasse o significado pensado inicialmente pelo compositor. Para Mazza, perceber que outras pessoas conseguem encontrar suas próprias histórias dentro de uma canção é uma das partes mais interessantes do processo.

 “Acaba acontecendo de forma natural. Uma das coisas mais legais da música é isso, outras pessoas conseguem se enxergar na nossa arte e criar algo próprio. Como cantor e compositor também sou ouvinte, então eu sei bem como é a sensação de ouvir uma música e se identificar com tudo aquilo que ela representa da minha forma, sabe? Então fico feliz de verdade quando as pessoas sentem o mesmo quando escutam minhas músicas.”

Se a experiência de ouvir também influencia a maneira como Mazza enxerga sua própria música, suas referências aparecem como outra parte importante desse processo. Entre tantos artistas que fazem parte de sua escuta, uma banda ocupa um lugar especial. 

“Sou uma pessoa que escuta de tudo, então acaba que também sou influenciado, mas um artista/banda que está sempre comigo são os Beatles. Foram eles quem me apresentaram e me fizeram gostar de música, então acho que indiretamente ou diretamente eles tão ali no meu processo criativo, considerando até mesmo a versatilidade da banda que trabalhou com balada, rock pop, psicodelia, heavy rock, blues e folk rock, estilos com os quais eu mais busco trabalhar hoje em dia.”

A influência dos Beatles também ajuda a explicar a variedade de caminhos que Mazza pretende explorar musicalmente. Algumas dessas experiências, no entanto, ainda devem esperar um pouco antes de chegar ao público. “Tenho muita vontade de poder apresentar esses projetos logo, mas são músicas que talvez funcionem mais pra um projeto de banda, no caso sem ser autoral solo. então acho que vão ficar guardadas por mais um tempo.” 

Enquanto alguns projetos permanecem guardados, São Paulo já começa a fazer parte de uma nova etapa de sua trajetória. Durante a estadia na cidade, o artista aproveita para trabalhar em novas músicas e explorar a intensa movimentação cultural paulistana.

 “Estou gostando de São Paulo, acho muito legal a intensa vida cultural que tem por aqui, a cidade literalmente não dorme. Queria muito fazer um show por aqui durante minha estadia até dia 20, mas por ser um pouco em cima não sei se vai ser possível. Em compensação, vou gravar um projeto novo aqui na cidade, vem algo massa por aí e, se caso não der certo ainda esse mês, quem sabe um show por aqui em outubro junto com o lançamento do meu próximo single.” 

Em meio à cena alternativa, Mazza segue desenvolvendo sua identidade artística e explorando diferentes possibilidades dentro da música. “Eu Não Sei Dançar” e “Anoitecer” são duas portas de entrada para conhecer seu trabalho e perceber a sensibilidade presente em sua escrita. Enquanto a primeira transforma o desejo de estar com alguém em uma reflexão sobre se permitir experimentar o novo, a segunda apresenta outra faceta de sua composição. 

Entre novas gravações, referências e possibilidades, o artista prepara os próximos passos de sua trajetória musical. E, se “Eu Não Sei Dançar” também pode ser sobre se permitir tentar, fica a pergunta para quem está do outro lado: vocês já aprenderam a dançar?

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