Com produção de A.G Cook, novo álbum apresentado em primeira mão no Brasil será lançado em 30 de outubro
Com produção de A.G Cook, novo álbum apresentado em primeira mão no Brasil será lançado em 30 de outubro

Prestes a lançar ZIRP!, seu quinto álbum, DIIV esteve no Brasil nesta semana para promover o novo projeto. Durante a passagem da banda pelo país, conversamos com eles sobre o manifesto anti-capitalista do disco, a inclinação ao pop alternativo e, claro, suas impressões sobre a terceira vez da banda em São Paulo.
E os fãs brasileiros ganharam um presente e tanto: algumas faixas inéditas foram apresentadas durante o show do último domingo (27) no Balaclava Fest, que também marcou o início da turnê dos estadunidenses.
“Tocar músicas novas é assustador e, se tivéssemos estreado essas faixas em Londres ou Nova York, por exemplo, as pessoas provavelmente ficariam nos observando de braços cruzados. Então, tocar no Brasil, onde o público é muito animado, tornou tudo cem vezes mais divertido do que teria sido em outro lugar, porque estávamos muito nervosos. Mas o público fez com que nos sentíssemos muito bem.”
Produzido por A.G Cook, conhecido por trabalhos com nomes como Charli xcx e Caroline Polachek, o álbum será lançado em 30 de outubro pela Fantasy Recordings.
As novas músicas apresentam um DIIV mais livre para explorar as possibilidades de seu som, com o autotune entre as novidades mais notáveis. Segundo o próprio produtor, ele ficou obcecado com as performances da banda e decidiu gravar baterias ao vivo antes mesmo que as faixas estivessem finalizadas.
“O autotune é interessante. Em duas músicas, usamos bastante autotune como parte da estética do som. Todos os vocais foram tratados com autotune porque, durante a composição, sofremos alguma coisa em nossos cérebros que nos trouxe essa textura meio alienígena. Com isso, as melodias vocais que escrevemos acabaram saindo diferentes. Acho que queríamos esse tipo específico de brilho no disco e essa atmosfera, certos efeitos ajudaram bastante. Não apenas o autotune, mas outros efeitos também”, explicaram.
“Sinto que Kid e Trillions são músicas pop. Já The Fountain é uma música de rock completamente insana. Mesmo antes das pessoas terem ouvido Kid, The Fountain saiu e todos assumiram que ‘o DIIV está fazendo uma coisa pop’. Então é interessante como a ideia de pop aparece de maneiras muito diferentes no disco, porque o álbum é superdiverso, mas, de alguma forma, é todo meio pop.”
Apesar da mudança para uma sonoridade melódica e atmosférica, deixando em segundo plano o grunge e o shoegaze, os temas são bastante pesados: o título faz referência às políticas de taxa de juros zero (Zero Interest Rate Policies), geralmente aplicadas em momentos de crise financeira — cenário explorado pelo DIIV nessa nova fase, que também acompanha uma estética corporativa com tom satírico.
“Essas grandes empresas de tecnologia, como Spotify e Apple, são onde as pessoas ouvem música, mas não são empresas de música. E elas transformaram a indústria de uma maneira muito intensa. Isso é a política do ZIRP, em poucas palavras. Então, é algo relevante para as nossas vidas, mas definitivamente é um espaço difícil de navegar”, disseram.
“Se você conhece a teoria do valor-trabalho, analisar a indústria da música é bastante deprimente do ponto de vista dos artistas e das pessoas que de fato criam o valor que depois é extraído por pessoas que não são músicos”, completou a banda.
Entre as referências não musicais para o projeto estão o computador, o mercado financeiro e até um curso de macroeconomia online feito por Smith, além do coletivo italiano de arquitetura radical chamado Superstudio, cujo universo visual lembra uma espécie de distopia utópica. “Havia esse contraste entre a humanidade e a tecnologia, e acho que essa interação foi uma fonte de inspiração.”
Eles também comentaram sobre as mudanças do rock alternativo nos últimos anos e a importância de explorar novos caminhos. “Durante anos, o shoegaze foi um gênero meio regressivo, que idolatrava aqueles mesmos álbuns clássicos perfeitos e não saía muito daquela caixa. E, para mim, as coisas mais empolgantes estão acontecendo no shoegaze agora. Parece um gênero que está evoluindo e se expandindo rapidamente, justamente nos momentos em que você sai um pouco dele.”
No aniversário de 10 anos de “Is the Is Are”, álbum lançado em meio a um dos contextos mais turbulentos da banda, eles refletiram sobre a maturidade e como a dinâmica interna mudou, incluindo as apresentações ao vivo.
“Se nós, como grupo, fôssemos hoje a um show nosso daquela época e assistíssemos a nós mesmos tocando, eu provavelmente teria pensado: ‘Como diabos eles estão fazendo isso?’. Naquela época, o show era muito básico e não trabalhávamos muito para fazer o som ficar bom, nem para estarmos bem ensaiados ou coisa assim. Então, acho que eu ficaria impressionado com o quanto o show melhorou em comparação com aquela época”, analisaram.
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