“Curadoria não é escolher o que você gosta, é o que faz sentido pro projeto”, diz Lúcio Ribeiro 

Em entevista, jornalista detalha seu trabalho como curador musical e reflete sobre a cena independente

Popload, Bar Alto, Cine Joia e Circuito são projetos conhecidos pelo público que frequenta ambientes culturais, principalmente na cidade de São Paulo. Por trás dessas iniciativas, existe um mesmo nome: Lúcio Ribeiro. O jornalista e curador musical participa da cena independente há anos e é responsável por diversas movimentações no país.

Mas nem sempre foi assim. Em entrevista ao Rota Indie, Lúcio detalha a evolução da sua carreira como jornalista, os desafios do trabalho de curador e os avanços da cena independente brasileira.

Onde fica a linha entre a curadoria X seu gosto pessoal? 

"Se uma pessoa ou uma empresa está me chamando para ser curador, é porque ela acredita no que eu acredito. É preciso ser honesto comigo mesmo no sentido do que é bom. Curadoria não é só escolher ou pegar nomes aleatórios porque você gosta; é o que faz sentido para o projeto, para a comunidade dele e para a ideia que você quer passar.

Começo a enxergar lá na frente e a pensar: ‘Pô, se eu trouxer isso aqui agora, pode ser que esteja preparando o terreno para trazer outra banda ali’. É um conceito amplo, mas basicamente envolve o que gosto e no que acredito.Agora, se faço uma curadoria para um pavilhão do Itaú no Rock in Rio, tenho que ter em mente que é para o público de lá, então não estarão exatamente as bandas que eu gosto ali.

Tenho que pensar em um sentido mais amplo, já que o projeto é muito maior do que a minha curadoria. Não posso chegar e colocar só artistas independentes ou de música eletrônica que me agradam em um lugar onde 100 mil pessoas vão para ver Maroon 5. É preciso ter esse cuidado, inclusive para que te chamem em uma próxima oportunidade. Um bom truque é: se o evento tem dois dias, em um deles você pode tentar deixar a programação mais próxima do seu gosto.

Isso não acontece com a Heineken, por exemplo. Muitas vezes eles me chamam exatamente porque querem algo alinhado ao meu perfil, à linha editorial da Popload e às coisas que já fiz."

O trabalho do curador envolve antecipar as tendências que, muitas vezes, chegam de outros países. Além de acompanhar festivais e a imprensa gringa, existem outros meios de estar à frente das novidades?

"Tenho bons amigos com quem converso direto e a quem costumo chamar de “minhas antenas”. Eles são muito ligados em música e estou sempre aprendendo com eles, já que às vezes fico distraído ou sobrecarregado de trabalho. De repente, um amigo de Belo Horizonte fala de uma banda e, logo depois, outro de Porto Alegre fala a mesma coisa. Penso: ‘Tem algo aí e não prestei atenção ou não tive tempo de ver.’

Basicamente, as referências vêm de muitos lugares: amigos, imprensa estrangeira, newsletters... Leio bastante e assino muitas publicações. Hoje em dia, a imprensa brasileira — pelo menos nas redes sociais e na internet — conta com pessoas bem legais que produzem conteúdos aos quais vale a pena ficar atento.

Também escuto rádio o tempo inteiro. Comecei a me familiarizar com alguns veículos e, se está tocando lá, meu alerta já acende. Ouço muito a BBC Radio 6 Music, o Zane Lowe, o Matt Wilkinson e a Triple J, da Austrália. Já estive na Austrália e me familiarizei com a emissora e com a cena local, que é riquíssima. Eles pegam o rock britânico, a música pop americana, misturam com a identidade deles e o resultado na rádio fica incrível.

No caso da música brasileira, costumo olhar o top 50 da Popload e vejo muitos artistas que ainda não conhecia. Além disso, vou a muitos festivais e shows para descobrir novas bandas ao vivo."

Hoje, todo mundo quer ser curador. Parece uma ansiedade generalizada das pessoas para mostrarem que elas sabem de tudo. Quais são os riscos disso?

"Esse problema existe em todos os ambientes: futebol, culinária, música… A internet e as redes sociais deram voz para todo mundo. Para resolver, é uma questão de ser um ‘autocurador’, e falar: ‘Isso é legal, isso não.’ Às vezes, você se engana e só percebe depois, mas é bem normal. Antes isso também existia, mas em ciclos pequenos. Hoje, com a internet, qualquer um consegue enganar muito mais gente." 

Você sente algum tipo de desafio em relação a artistas que têm presença digital muito forte, mas não conseguem encher uma casa de show? 

"Esse era um dos problemas maiores da curadoria ou de formação de lineups de festivais. Trabalhei na Time For Fun e vejo isso na 30e, na Live Nation, etc. Às vezes, tem artistas que possuem 1 milhão de seguidores e não vendem 10 ingressos. Isso é normal. Depende do seu público mesmo. Mas parou-se de cair nessa cilada, porque tem um milhão de jeitos do curador aferir se o artista realmente vale a pena ou não. E o principal deles é: vá ver o cara ao vivo. Não fique no escritório tentando montar lineup porque você vai cair um monte de cilada. Se o curador não pega a energia ou a vibe, ele não pega o que está acontecendo. Às vezes o artista é o representativo de algo maior, não é só aquele negocinho que você está vendo."

Muitos lugares onde trabalhei, inclusive de jornalismo, as pessoas não saíam. Trabalhavam o dia inteiro, ficavam cansados, não iam para o show, e tinham que fazer a crítica do disco. Muita gente termina o expediente, vai para casa e não tem energia e afinidade para sair e ver um show.

Ver ao vivo é bom até para o curador entender o que é chato e o contexto do porquê é chato. Por que não funciona isso aqui? O que essa pessoa está cantando é chato, ou esse som não me pega? 

Parte essencial da curadoria é esse vai-e-vem de negociações. Como lidar com a ansiedade e estresse de fazer negociações gigantes, ou até a frustração quando elas não vão para frente? 

"Se não deu certo, é do jogo. Dependendo do evento que você está fazendo a curadoria é: ‘deu para trazer esse cara, não era a primeira opção.’ Quando acabava um Popload Festival, e a gente pensava no outro, a equipe já montava um line-up hipotético para partir de algum lugar. O que tinha sido pensado de primeira quase nunca acontecia na prática.

O curador vai em uma agência atrás da banda que ele quer e o cara fala: ‘Putz, não está disponível, não tem interesse, tem outros planos, está montando uma turnê no Japão, mas tem essas aqui.’ Não é exatamente o que eu queria, mas é legal e pode me surpreender.

Quase nunca me sinto frustrado, mas já vieram bandas que vi pela primeira vez no meu evento e me surpreendi com um show absurdo. A curadoria é linda, até você ter uma planilha na frente e ver o que pode ser gasto. Se a conta minimamente fechar, tem o show. Se o cara quer grana demais, o curador pensa: ‘Se eu botar esse show no Cine Joia, ele vendendo mil e poucos ingressos, prejudica a planilha.’ A planilha é muito parceira da curadoria, às vezes para o mal."

Em que medida você acompanha os milhares de pedidos de atrações que são feitos por aí na internet? É algo que está sempre prestando atenção? 

"As pesquisas são muito comuns. Vejo com curiosidade, mas não é um negócio que falo : ‘Será que essa pessoa está falando só porque a banda é legal? Ela realmente quer, pagaria o ingresso?’ Porque, no final das contas, você tem que achar o equilíbrio de um artista legal para cacete e a venda de ingressos. Às vezes muda a geração, o tempo, o disco, o negócio e aquela banda já não lota mais. O The Smashing Pumpkins mesmo tinha uma época que não vendia o Cine Joia, na baixa. Aí vieram pela Balaclava e lotaram o Espaço Unimed em 2024.

Tem uma artista que a gente estava estudando trazer pela Popload. Não posso falar o nome dela, mas a equipe estava pensando se valia a pena. Aí lembramos que em 2018 a gente trouxe e vendeu bem para caramba, até no Rio de Janeiro, que normalmente não tem uma boa adesão. É uma matemática maluca, mas faz parte do jogo: às vezes o curador traz e se ferra; outras, se surpreende." 

Qual é a sua opinião sobre os insiders? Como produtor, você acha que eles atrapalham ou ajudam? 

"Já fui insider, a Popload se fez muito disso. E parei porque quando você não tem amarras, chega a ser divertido, mas o insider dando furo pode atrapalhar a negociação. Acho que, na verdade, pode ajudar. 

Quando estou indo atrás de uma banda, falo com um agente, e ele responde: ‘Mas a Balaclava e a 30e também estão atrás’. A Balaclava oferece mais grana, a 30e oferece uma turnê muito maior, por exemplo. A partir desse momento, nós três sabemos que essa banda pode vir. E algum deles pode vazar.

Também tem muitos casos de um monte de gente estar indo atrás do mesmo artista, como foi o caso do Angine de Poitrine. Fomos atrás e tinha mais uns cinco pedidos para o Brasil, de festivais, de produtores etc. Um produtor desses que está atrás e não consegue, vaza. Ele faz isso porque é o jogo.

Às vezes o insider estava super certo, o artista estava quase vindo e não vem. Por uma série de fatores, que às vezes é culpa daqui, dos produtores brasileiros, outras vezes do artista... A negociação também pode se arrastar por meses e depois dar errado. Esse equilíbrio de ter furos, de vir ou não vir, ajuda também os produtores. 

Uma vez furei sete bandas que vinham no Lollapalooza Brasil. Levei uma bronca gigantesca. Já dei furos históricos, de U2 a Foo Fighters. Não faria mais."

Qual é o seu critério para artistas brasileiros e internacionais?

"Acho que tenho uma aptidão melhor para bandas internacionais porque teve uma época que eu não gostava de nenhuma banda brasileira, só de artistas gringos. Quando comecei minha carreira, me estabeleci como jornalista musical na Folha e cuidava da música internacional. O indie também não era um gênero relevante, era no máximo cantado em inglês.

Como a minha área era música internacional, eu tinha que estar esperto com as áreas que iam me ajudar a me desenvolver no meu trabalho. Odiava MPB, tinha muita coisa que não gostava. Mas fui mudando, comecei a gostar mais e entrei em uma fase brasileira. Hoje, não aguento ver banda nacional cantando inglês, mas acho que ainda sei muito mais de internacional. 

Com música brasileira, vivo aprendendo e tenho metodologias diferentes. É muito fácil falar de música brasileira atualmente, não importa o gênero. Gosto muito do Djonga e FBC, e me surpreendi muito com o show da Gaby Amarantos, por exemplo. Se você quer conhecer música brasileira, é fácil ter acesso toda hora. Não é que nem a gringa que é esporádico. 

Teve um grande divisor de águas da cena independente com as bandas Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê, que eram mais ou menos irmãs da mesma época. Uma cantava em inglês, outra cantava em português e as duas fizeram shows em todos os lugares. O Cansei era ótimo, mas eles pareciam uma banda inglesa. E o Bonde era completamente brasileiro, cantando em português com um som mais funkeado também com peso do rock, que foi o que atraiu o Diplo. Acho que aí deu um clique na cena daqui, no sentido de ter essas misturas com mais naturalidade. 

O Cansei era ótimo, mas eles pareciam uma banda inglesa. E o Bonde era completamente brasileiro cantando em português com um som mais funkeado também com peso do rock, que foi o que atraiu o Diplo. Acho que aí deu um clique na cena daqui, no sentido de ter essas misturas com mais naturalidade. 

Quando comecei a frequentar rolês de música independente, na época de faculdade, todo mundo cantava em inglês, todo mundo. Ninguém falava dos Mutantes como uma inspiração, como acontece hoje, por exemplo.

O Boogarins teve a mesma trajetória do Cansei, tocou para cacete lá fora, foi relativamente parecido. Essa sonoridade nascida aqui atraía os gringos, ainda que cantando em português, mas com uma sonoridade que se fazia universal. Os gringos queriam entender mais ou menos de onde vem aquela psicodelia deles. Eles vieram juntos com o Tame Impala e com os Temples, da Inglaterra. Então, existia uma psicodelia australiana, uma britânica e uma brasileira, caminhando nos festivais, às vezes no mesmo lineup. O molho do Boogarins era diferente, não estou falando que era melhor ou pior, porque tem umas referências de Clube da Esquina. É uma outra psicodelia e puxa muito por Mutantes e deixou os gringos chocados."

A maior parte dos eventos independentes em São Paulo tem ingressos por 20 a 40 reais, mas sabemos que a bilheteria não sustenta a sobrevivência desses músicos, que dependem de merch e outros empregos na maioria das vezes. Você acha que existe alguma esperança de esse mercado mudar?

 "Isso é uma construção, que às vezes é muito devagar, mas acho que melhorou muito do que era. Hoje, o artista consegue ter uma graninha, tocar bastante, porque tem mais espaço. Claro que depende dos seus contatos, dos seus amigos, do seu círculo, de como você motiva uma galera. Lá atrás, chegou um momento em que São Paulo não tinha lugar para tocar. Imagina como era no resto do Brasil.

Temos o exemplo do Terno Rei. A banda tinha dois discos legais, mas não penetrava em nenhum lugar. Era de indiezinho, precisavam trabalhar demais, até que teve uma virada. Os caras começaram a vender bastante disco, lotaram shows em casas razoavelmente grandes. Eles aprenderam com um caminho que durou uns 15 anos. Não é uma banda que pintou e já emplacou. Às vezes ela surge e emplaca, uma gravadora contrata, ganha uma graninha e depois cai. Aí o artista para, tem que dar passos para trás. 

Atualmente, está muito melhor. É longe de ser o ideal, mas por exemplo a Heineken jamais faria um festival com artistas independentes antes e, hoje, é possível."

Olhando para trás, tem alguma coisa que você acreditava no começo, quando começou a fazer curadoria, e que hoje acha que talvez seja uma bobagem ou algo que mudou muito?

"Boa pergunta. Sou um cara que se aproveita da melhoria do mercado e dessas atenções que algumas bandas têm e de ter mais lugares para tocar. Tudo isso significa que tem mais delas se formando. Antigamente, conhecia de perto umas cinco ou dez bandas. Hoje em dia são umas 500, no sentido de saber o nome das pessoas, de encontrar e cumprimentar. Também me favoreço de um mercado que no momento está legal, mas que ainda não é o ideal. 

A luta continua, espero que a nova geração aproveite melhor do que a gente. Nós carpinamos uma roça gigantesca. Projetos muito bons ficaram pelo caminho porque não tínhamos estrutura e hoje em dia ela existe, de uma maneira bem mais razoável. 

O Circuito é um exemplo. Quem iria pagar a estrutura toda para uma banda entrar num ônibus com os instrumentos dela e tocar em quatro cidades, sabe? Alguém foi lá e marcou esses shows para elas, é um mega avanço. Também me desenvolvi com o tempo: a curadoria, o jornalismo, ter o Cine Joia e o Bar Alto. A luta é sempre a mesma, mas eu não me arrependo de nada do que aconteceu, não reclamo de nada. 

Tinha bons amigos de uma banda que se chamava Pin Ups. Eles eram o retrato da cena de São Paulo, faziam shows no quintal da casa de algum amigo. Tocavam para cacete, mas já vinham num som qualitativamente horrível e dependiam de muito de estúdio para gravar alguma coisa. Os espaços disponíveis em São Paulo eram um chão de bar que o artista metia o amplificador em uma tomada qualquer.

 Com a internet e a instrumentalização das coisas, está mais fácil. O acesso é muito maior, por mais que você gaste uma grana, não precisa ter o aparato técnico e a tecnologia que esses caras mais macacos velhos da profissão têm. Também é muito mais fácil divulgar os shows e as bandas, propagar informação e gerar um público. Mas, acho que nem os Pin Ups se arrependem do que eles viveram porque eles ajudaram a botar um tijolinho ali. A cena se profissionalizou. Espero que a gente esteja num só na página 100 de um livro de mil. Esse livro ainda vai embora."

Queria falar um pouco sobre o Circuito e a ideia de rodar na estrada para lugares fora do óbvio. Na lógica tradicional, os produtores levam os eventos para cidades com maior concentração de público, mas o Circuito aposta em novos espaços. Você sente que o evento ajuda a criar uma cena nesses lugares? E por que isso importa?

"Nada é fácil, mas nem sempre o artista precisa estar em São Paulo para fazer um monte de coisas que antigamente era necessário. Conheci centenas de bandas que deram uma estouradinha no Rio Grande do Sul e vieram morar em São Paulo. Dava certo até a página dois e acabava. As cenas locais, por tudo isso que a gente está falando de tecnologia, começaram a ter um up gigante. E se antes em São Paulo tinha só aqueles bares que a pessoa ligava a tomada em um adaptador qualquer, hoje em dia tem vinte casas de show só na Vila Madalena. As cidades do interior também têm, mas em um âmbito menor.

O número de artistas também aumentou bastante. Porque a galera do interior, quando queria se desenvolver na música, ou vinha estudar em São Paulo ou passeava na capital para entender as coisas aqui. Agora, ela não precisa sair de casa. Ela pode estar no seu núcleo, no seu círculo de amizades e sonhar com as coisas, como ser curador, ser produtor, ser jornalista. 

As pessoas deixaram de ter que vir para São Paulo e para o Rio. É óbvio que é bom estar aqui, oferece uma condição maior, mas se o artista se desenvolver lá, as cenas locais conseguem apoiar. 

Lá atrás, o Rio Grande do Sul tinha um uma cena forte, que não dependia de São Paulo para ela se consolidar. Eles tinham duas ou três rádios legais e várias bandas. Conseguiam fazer o circuito do interior com bastante facilidade ali, mas isso se perdeu um pouco pelo que ouço e vejo. Por uma série de fatores, pela modernização de tudo, pelas enchentes, simplesmente porque mudou. E eles perderam esse vínculo." 

Também queria falar sobre a sua escolha de participar de sociedades, como o Cine Joia e Bar Alto. Como isso caminha com o seu trabalho de curador e jornalista?

" É um super processo de retroalimentação. Na Popload estou incentivando uma cena da qual eu habito e tomo partido dela. Aí abro uma casa de shows, como o Cine Joia, que é uma coisa que vai alimentar meu blog, enquanto a cobertura editorial aproxima os artistas e o público das nossas casas. E por conta disso tudo, sou convidado para ser curador ou DJ. Então, é uma retroalimentação mesmo. Mas é só a minha vida. É isso que eu faço, é isso que eu sempre fiz. Por exemplo, fui ver a Vera Fischer Era Clubber. Adorei, botei no meu site e no festival da Heineken e as chamei para tocar no Bar Alto. Não porque sou espertão, mas porque acho que é legal pra caralho e de uma certa forma estou fazendo a roda girar."

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