Álbuns que completam 10 anos em 2026

Confira alguns álbuns que marcaram o ano de 2016 e, por que não, a última década

2026 marca o aniversário de algumas das obras mais influentes da música independente nos últimos 10 anos. Nessa lista, separamos alguns álbuns que marcaram o ano de 2016 e, por que não, a última década: 

Essa Noite Bateu Como Um Sonho – Terno Rei 

Antes do sucesso estrondoso de Violeta (2019), que impulsionou Terno Rei para os grandes festivais, o não menos excelente Essa Noite Bateu Como Um Sonho solidificava a banda como um dos principais nomes da música independente brasileira e do que viria a ser a cena do rock triste paulista.  

Com um som menos polido e mais introspectivo que seus sucessores, o segundo álbum cristaliza algumas das primeiras influências do grupo – aliando a sonoridade do Dream Pop e do Shoegaze, à sensibilidade pop e à voz aveludada do vocalista Ale Sater.  

O disco traz, ainda, algumas das principais composições da banda, que fazem parte de suas setlists até hoje, como Sinais, Criança e Circulares.

Puberty 2 – Mitski 

A fragilidade dos versos de Mitski fizeram com que ela se tornasse uma espécie de queridinha emo depois do lançamento de seu álbum de estreia, Bury Me at Makeout Creek (2014), com direito a um cover de Francis Forever pela vampirinha Marceline do desenho animado Hora de Aventura.  

Como o título sugere, o quarto disco da artista trata de temas mais maduros, mas não menos confessionais: os sentimentos relacionados ao começo da vida adulta.  

Enquanto faixas como Happy discutem depressão e codependência, outras como My Body’s Made of Crushed Little Stars, falam sobre ansiedades muito reais – como a de um aluguel em atraso.  

Seja pela sensibilidade poética, seja pelo ruído das guitarras, Puberty 2 ajudou a consagrar Mitski como uma das principais vozes de sua geração.

Mahmundi – Mahmundi 

Mahmundi, autointitulado de estreia da cantora e compositora carioca, talvez seja o álbum que melhor capturou a melancolia de uma tarde quente de verão do ano de 2016.  

Um breve compilado de canções que bebem do Synthpop e do R&B Alternativo do final da década de 80 e início da década de 90 para evocar um forte sentimento de nostalgia e de coração partido – com destaque para faixas como Eterno Verão, Leve e Calor do Amor – vencedora da categoria Nova Canção no Prêmio Multishow de 2014.

Princesa – Carne Doce 

Princesa, segundo álbum da banda Carne Doce, é um verdadeiro salto do primeiro registro do grupo – o homônimo de estreia de 2014. Com produção mais polida (assinada por João Victor Santana Campos), o álbum alia a MPB e o Rock Psicodélico de nomes como Clube da Esquina e Gal Costa, à Música Pop e Sertaneja, que tanto marcou a infância dos integrantes da banda no interior do Estado de Goiás. “Leonardo já é mais aliado que Beyoncé” – acena a vocalista Salma Jô em Sereno.  

Muito mais do que um mero disco de Rock Alternativo, Princesa marcou a década pela fragilidade da poesia de Salma, que uniu a melancolia a versos políticos – trazendo sempre o ponto de vista feminino – em hinos como Eu Te Odeio, Artemísia e Falo.

Tropix – Céu 

A artista Céu é, sem dúvidas, um dos maiores nomes da Nova MPB.  

Quarto disco de estúdio da cantora e compositora, Tropix marcou o que ficou conhecido popularmente como MPBass – uma tendência de diversos artistas brasileiros das décadas de 2000 e 2010 de mesclar a sonoridade clássica da MPB com texturas eletrônicas.  

O resultado é uma delicada (e dançante) ponte para diferentes épocas da música brasileira. O trabalho divide interpretações de clássicos como A Nave Vai, de Jorge Du Peixe, e Chico Buarque Song, do grupo paulistano Fellini, com canções autorais da Céu, como Varanda Suspensa – clássico instantâneo da artista paulista.

Atrocity Exbition – Danny Brown 

Em meados da década de 2010, nomes como Danny Brown e Earl Sweatshit voltaram a explorar a sonoridade de artistas como Madlib e MF DOOM, ajudando a dar vida nova ao gênero conhecido como Hip-Hop Abstrato.  

Dessa experimentação nasce Atrocity Exhibition, obra na qual Danny Brown se utiliza da atmosfera abrasiva do gênero para discutir não só o seu próprio vício, mas também como a indústria mercantiliza a maneira como artistas lidam com o próprio trauma.  

Essa temática fica ainda mais evidente no incrível videoclipe da música Ain’t It Funny (dirigido por ninguém menos que Jonah Hill), na qual o rapper interpreta o autodestrutivo Tio Danny, em uma espécie de Show de Truman satírico e perturbado.

Melhor do Que Parece – O Terno 

Melhor do Que Parece é o álbum que melhor definiu a estética inicial do que viria a ser a cena do Rock Alternativo paulista.  

O terceiro disco da banda O Terno combina o fascínio do grupo com a MPB dos anos 60 e 70 com a diversão e irreverência do Indie Rock contemporâneo.  

Faixas como Culpa e Volta marcaram época não só por traduzir as angústias do início da vida adulta, mas também por antecipar o tipo de introspecção poética que tanto viria a caracterizar o trabalho do Tim Bernardes em carreira solo, incluindo o lançamento de seu primeiro disco – Recomeçar (2017) – no ano seguinte.

Freetown Sound – Blood Orange 

Enquanto filmes como Moonlight (2016) expandiram a maneira como a masculinidade negra era retratada no cinema, Blood Orange fazia o mesmo no mundo música com Freetown Sound.  

Inspirado pela música estado-unidense dos anos 80, o artista originário de Essex, Reino Unido, utiliza da roupagem do R&B Alternativo e do Neo-Soul para contar histórias de pessoas excluídas e invisibilizadas, seja pela cor de sua pele ou pela sua sexualidade.  

Terceiro disco da carreira de Devonté Hynes sob o nome Blood Orange, Freetown Sound trouxe canções dançantes e confrontacionais na mesma dose – redefinindo a maneira como artistas negros falavam (e falam) sobre suas próprias dores.

A Seat at the Table – Solange 

Por vezes resumida a uma versão “cult” da sua irmã mais velha Beyoncé, a obra de Solange sempre buscou testar os limites do Neo-Soul e do R&B Alternativo. Essa é a marca registrada de A Seat at the Table, seu primeiro disco de inéditas em quase 10 anos.  

Com uma sonoridade sofisticada, entrecortada por interlúdios (que trazem as vozes dos pais das irmãs Knowles), o trabalho discute questões como gênero e raça, sem deixar de tratar de dores modernas universais, como em Cranes In The Sky, uma das mais poderosas composições da década passada.

Coloring Book – Chance the Rapper 

Desde o elogiadíssimo Acid Rap, de 2013, Chance the Rapper já estava acostumado a organizar seus trabalhos na forma de mixtapes. Três anos depois, o formato aberto de Coloring Book possibilitou ao artista convidar uma gama ainda maior de colaboradores. São nomes dos mais variados, como Kanye West, Justin Bieber, Jay Eletrônica e Future, entre outros.  

Muito mais do que um apanhado de feats, o álbum traz influências de diversos ritmos afrodiaspóricos – principalmente do Gospel e do Soul – para pintar um quadro que traz o que há de mais solar no Rap. Fé, amores e amizades guiam um trabalho que, mesmo partindo de um viés comercial (mas não por isso menos sofisticado), viria a se tornar referência para o Pop Rap ao longo de toda uma década.

22, A Million – Bon Iver 

Após lançar obras paradigmáticas para o gênero do Indie Folk – como For Emma, Forever Ago (2008) e Bon Iver, Bon Iver (2011), Justin Vernon (principal nome por trás do grupo Bon Iver), poderia facilmente ter caído em um processo de inércia criativa.  

Ao invés disso, ele se juntou ao engenheiro de som Chris Messina para criar the Messina – um sistema personalizado de hardware e software, utilizado para corromper eletronicamente as canções de Vernon e dar à luz ao seu terceiro álbum.  

Embora de caráter mais experimental e não acessível que os demais trabalhos de Bon Iver, 22, A Million une samples e ruídos eletrônicos à já clássica guitarra acústica de Vernon, transportando os versos existenciais do artista para novos (e belíssimos) universos criativos, em canções como 22 (OVER S∞∞N) e 33 “GOD”.

A Moon Shaped Pool – Radiohead 

A Moon Shaped Pool segue sendo o último respiro criativo da banda Radiohead (ao menos até agora).  

Em uma banda obcecada pela constante reinvenção, o nono álbum de estúdio catapultou o grupo para uma sonoridade mais cinematográfica e sinfônica, reflexo do experimentalismo do guitarrista Jonny Greenwood em filmes como Sangue Negro (2007) e O Mestre (2012).  

Tido como o mais triste da discografia da Radiohead – o disco traz versos marcados pela melancolia e mesmo pelo desespero, influenciados pelo divórcio do vocalista Thom Yorke, após um relacionamento de 23 anos (Daydreaming), ou mesmo a atmosfera de histeria coletiva que marcou a política britânica na década anterior (Burn the Witch).  O álbum serve também como registro definitivo de um conjunto de faixas que rondavam o repertório da banda há décadas – caso da deslumbrante True Love Waits.

The Life of Pablo – Kanye West 

É muito difícil falar sobre o impacto de Kanye West após seu colapso em 2016.  

Nesse contexto, The Life of Pablo marca o último instante de relevância cultural de um dos maiores artistas do século XXI.  

Em meio a uma produção caprichada, que mescla o Trap ao Gospel, o nono álbum de estúdio do rapper contém algumas de suas mais significativas reflexões sobre os excessos da sociedade estadunidense. Entre o sagrado e o profano, a figura ficcional de Pablo traduz o forte sentimento de frustração que acompanhou a ascensão social de Ye, que viria a desaguar em sua associação a figuras de extrema-direita. Ou “um escravo rico catando algodão na fábrica de tecidos” – como descreve o próprio artista em Feedback.  

Bagunçado, longo e inacabado (e apesar das polêmicas) The Life of Pablo permanece um retrato definitivo do artista imperfeito que foi Kanye West – e da sociedade doentia que ele reflete.

Castelos & Ruínas – BK 

Castelos & Ruínas, disco de estreia do BK, antecipa algumas das tendências que entrariam em voga em 2017 – ano que viria a ser conhecido como o Ano Lírico do Rap nacional.  

Seja pela produção primorosa (que busca influências do Trap à MPB, ou mesmo no Rock), seja pelas letras densas e introspectivas, Castelos & Ruínas é um mergulho na mente perturbada do rapper, traduzindo suas ruminações, inseguranças e, por que não, uma boa e velha dose de boemia carioca.  

Introduzindo ao público nomes que o acompanhavam desde os tempos do coletivo Nectar Gang – como Lucas Carlos, El Lif Beatz e JXNVS (com os últimos dois assinando sua produção) – Castelos & Ruínas se tornou uma referência incontornável para toda uma geração.

Duas Cidades – BaianaSystem 

Há um antes e um depois de Duas Cidades – segundo registro do grupo BaianaSystem.  

O álbum marcou toda uma série de articulações musicais e políticas, fortalecendo o já tradicional bloco Navio Pirata, importante componente cultural do carnaval de Salvador.  

Do Axé ao Raggae, do Rap ao Dub, o disco é uma mistura tanto orgânica como inclassificável, unindo cultura dos sound systems jamaicanos à tradição dos blocos afro e da guitarra baiana, estrutura que se completa pela presença do experiente Daniel Ganjaman como produtor.  

Dono de hits atemporais como Playsom, Bala na Agulha e Lucro (Descomprimindo), Duas Cidades é um dos álbuns mais polissêmicos da música brasileira contemporânea.

Lemonade – Beyoncé 

Com Lemonade Beyoncé marcou presença tanto nas pistas de dança quanto nas galerias de arte.  

Dono de um universo próprio, a ser desvendado de forma atenta – o 6º álbum de estúdio da cantora e compositora de Houston, Texas é uma obra populada por personagens e histórias que dialogam diretamente com o passado e a cultura negra dos Estados Unidos, trazendo influências de clássicos do Soul, R&B, Blues e Hip-Hop.  

Mesmo confessional em faixas como Pray You Catch Me, Hold Up e Sorry (centradas na traição de seu parceiro de longa data Jay-Z), Beyoncé encontra espaço para destacar os aspectos mais políticos do material, em faixas como Freedom (parceria com o rapper Kendrick Lamar) e Formation – umas das mais forte do disco.

Blonde – Frank Ocean 

Após revolucionar o R&B Alternativo com Channel, ORANGE (2012) – que introduziu o gênero a todo um novo universo de referências (que vão do Pop Rock dos Beatles ao Hip-Hop de André 3000), Frank Ocean retornou 4 anos depois com Blonde.  

Marcado pela estratégia de lançar seu antecessor Endless (2016) um dia antes – cumprindo assim seu contrato com a Apple Music – Frank Ocean se encontrou livre de quaisquer amarras comerciais e criativas.  

O resultado é um disco introspectivo e minimalista, que borra os limites do R&B e do Art Pop ao passear por temas como nostalgia, amores não correspondidos, sexualidade, vício, violência e trauma.  

É dessa variedade que surge a beleza de Blonde. Talvez a última manifestação de um artista tão delicado quanto evasivo, ele permanece um dos álbuns definitivos da década de 2010.

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