jonabug lança “torpor”, EP sensorial que reflete sobre o amadurecimento

Com passagens por Lollapalooza Brasil, Bananada e SPIM Festival, o jonabug comemora 2026 cheio de realizações e seguem cheios de planos.

Nesta sexta-feira (11/9) jonabug lança torpor, seu segundo EP. O álbum entra na discografia junto a estreia Big Ego, No Self Esteem e o álbum Três Tigres Tristes. O quarteto de Marília, interior de São Paulo, é formado por Marília Jonas (vocal e guitarra), Denis Felipe (baixo e vocais), Samuel Berardo (bateria) e Thales Leite (guitarra).
Quando pergunto a melhor parte de trabalharem juntos, a resposta é quase unânime: “Estar sempre junto dos amigos trabalhando com o que se gosta”, diz Denis. Em entrevista à Rota Indie, a banda discutiu o EP, parcerias musicais e lições aprendidas em grandes festivais.

torpor marca, também, a entrada de Thales Leite no processo de composição. “Existe uma evolução na nossa forma de compor. São músicas que todo mundo participou desde o início, da concepção à gravação”, explica a vocalista. O guitarrista completa: “Quando entrei no grupo, para somar na turnê do primeiro álbum, aprendi a surfar na onda deles, mas agora entramos juntos nesse mar, sabe? Consegui entrar na mesma frequência”.
O EP conta com produção de Roberto Kramer e as faixas “Rascunho”, “I can’t be with you”, “Is this the end?” e “Entre o certo e o errado”, esta última parceria com Cidade Dormitório. Marília, Thales e Denis não escondem o lado tiete quando citam a banda sergipana. “A gente os admira há muito tempo, já fizemos turnê juntos.

Assim que fizemos essa música, pensamos neles, porque era nítido como eles tinham sido referência”, explicam. Outra artista que a banda quer dividir o estúdio é a YMA. “Adoro o jeito que ela canta”, diz Marília. 
Para o nome, a banda buscava sinônimos de “desconforto” quando se depararam com “torpor”, conceito que passa por diferentes áreas. “Me chamou atenção na biologia, quando o animal diminui a temperatura corporal para se adequar a situações extremas. Acho que as músicas passam por essa ideia, estamos passando por muitas mudanças, tanto como banda quanto na vida pessoal”, esclarece Marília. É a trilha sonora da geração ansiosa, perfeita para o quarto bagunçado de quem sente tudo intensamente demais. 

Sonoramente brilham as referências do rock noventista, paixão declarada dos integrantes, como Hum, Lush e My Bloody Valentine. Eles também citam Ludovic, Superheaven e Gorduratrans como inspirações para torpor. Com composições bilíngues, o trabalho reverencia o shoegaze e midwest emo, mas com um toque à brasileira que não pode faltar. 

A sintonia entre a banda e o produtor — responsável também pelos últimos trabalhos de Jovens Ateus, Paira, Marrakesh e Gab Ferreira —, veio justamente das referências em comum. “Foi insano! A gente falava uma referência e ele já captava na hora. A gente compartilha dos mesmos gostos, acompanha as mesmas bandas, e isso fez com que o processo fosse muito natural, a parceria com o Roberto foi essencial”, explicam.

O EP foi gravado no Estúdio Rockambole, espaço consagrado da cena indie paulistana. Como selo, a Rockambole já lançou O Grilo, PLUMA, AQUINO, BAD LUV, Reolamos, Caju, Besouro Mulher, ALD'S, TEIMA e Martin e os espanhóis da Lake Placid. “O lugar contribuiu muito para a vibe da gravação, sabe? É um espaço muito inspirador, artístico, todo mundo que está lá vive e respira arte”, comentam. 

2026 foi o ano das primeiras vezes do grupo: eles estrearam no Lollapalooza Brasil. “Até hoje parece que não aconteceu de tão incrível que foi. A gente nunca tinha ido, nem como público, entramos e pensamos: ‘uau, a gente conseguiu, né?’ Foi gratificante”, relembram.

Esta edição do Lolla, inclusive, era um presente para os fãs de música brasileira. Além da jonabug, quem compareceu ainda pode conferir os shows de terraplana, Foto em Grupo, Agnes Nunes, Varanda, Cidade Dormitório, Jadsa, Nina Maia, Papangu e muito mais. 

Quando pergunto sobre como foi o convite para participar do festival, eles relembram o pedido engraçado: “O [Marcelo] Beraldo [curador do Lollapalooza] mandou mensagem pelo Instagram pessoal dele! A gente pensou que era golpe [risos]”, conta Denis. 

Para a banda, “festival é um vício [risos]” e as participações do ano não terminaram no Lolla. O quarteto também brilhou no Bananada, em Goiânia, e na estreia do SPIM Festival, primeira edição do Festival de Música Independente em São Paulo.

Como próximos passos, os festivais continuam no trajeto do grupo, e citam Primavera Sound e o Festival do Sol como sonhos de line-up, além disso, sonham com uma turnê pelo Nordeste e apresentações em casas históricas, como o Circo Voador, no Rio de Janeiro.

Para o lançamento, a banda está menos preocupada com as reações imediatas, mas sim como cada ouvinte irá se conectar com as faixas e criar suas próprias histórias: “Cada música pode ter mil significados. Gostamos dessa ideia de que as composições nascem e e são do mundo”, finalizam os integrantes. 

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