Rafa Bicalho lança “Um Certo Azul na Sala” com shows de estreia em São Paulo

Com 10 faixas, projeto traz colaboração com a mineira Clara Bicho e composição ao lado de João Ferreira

O mineiro Rafa Bicalho lançou, nessa quinta-feira (27), seu segundo álbum de estúdio, Um Certo Azul na Sala. Com um indie pop dançante, o cantor mergulha em temas como o luto familiar, o término de um relacionamento e o anonimato na vida urbana. 

Com um pé no indie, outro no rock e certa inclinação para o pop, o artista explora as composições de forma mais profunda e pessoal, processo que ganhou força depois que ele começou a colaborar como compositor para outros artistas.

O disco começa com Chocolate Amargo, uma canção de arranjos delicados cuja melodia lembra nomes como Cage The Elephant ou Maglore e explora temáticas relacionadas ao amor romântico. Em seguida, Fevereiro soa como andar de carro com as janelas abertas em uma tarde de sol. Ao final da faixa, uma surpresa: o poema “Casamento”, de Adélia Prado, recitado por Magali Sousa, filha do cartunista Mauricio de Sousa. 
Com guitarras rasgadas, Uma rápida correção de percurso é construída a partir de um sample do percussionista Sérgio Bacalhau. Já em Perigo Estranho, Rafa divide a autoria com João Ferreira (Daparte, Foto em Grupo) para uma faixa com vocais potentes. 

Sentimentos agridoces tomam conta de América do Sul (Vazia), que reflete sobre a falta da pessoa amada, ainda que com instrumental animado e melodias suaves, enquanto Caninos, pré molares e frontais deixa os vocais em segundo plano. Aqui, o destaque é do trompete que comanda o refrão. 

A sétima faixa, Hoje eu não vou sair, começa reflexiva e introspectiva, mas logo explode em um ritmo dançante, mantendo a letra reservada sobre a vontade de não sair de casa. Mas o auge da melancolia está em Problemas de um adeus, guiada pela voz e violão em tom mais calmo quando comparado ao restante do disco. 

A única colaboração do projeto é com a brilhante Clara Bicho, que participa de Prédios e Vãos. A canção solar traz uma mistura harmônica das vozes e encerra com uma outro metalinguística de animais na natureza.
Por fim, o álbum encerra com uma versão de Baby, composta por Caetano Veloso em 1968. Mesmo com a responsabilidade de recriar uma faixa já interpretada por grandes nomes como Gal Costa, Os Mutantes e Maria Bethânia, Rafa não se deixa intimidar e apresenta uma proposta indie rock com a cara dos anos 2020. A releitura ainda amarra os temas explorados ao longo do disco, como a cor que dá o tom do trabalho (“comigo vai tudo azul”) e a paisagem urbana (“vivemos na melhor cidade da América do Sul”).

“‘Um Certo Azul na Sala’ é um álbum sobre as coisas que só existem quando você põe reparo. Eu me acostumei a não reparar na nuance das coisas porque elas são invisíveis. Mas elas existem. Se não existissem, não teria gente com um aperto no peito quando passa em frente a um endereço que não visita mais, nem chorando ouvindo uma música que marcou uma relação antiga. As nuances dessas coisas não têm nome, mas pra mim são mais importantes que as próprias coisas. Elas tingem tudo com uma cor que só você consegue ver. O endereço e a música ganham um certo azul, por falta de um nome melhor pra condição das coisas invisíveis”, disse o cantor.

“Um certo azul que no fim das contas muda tanto a nossa experiência na terra que eu acho ultrajante o quão pouco se fala sobre ele. Mas aí, quando eu tento, eu também não consigo. São rastros, vestígios, provas de que existe um lado abstrato de todas as coisas a que a gente conseguiu dar nome. Escrevendo esse disco, eu falei sobre esse azul várias vezes sem perceber, cada hora com um nome. Chamei de gosto, de perigo, de rastro, de abstração e de vazio. Cada palavra, como se fosse uma rede no rio tentando pegar um peixe de mar”, completou.

Produzido de forma independente nos estúdios Opera (Betim, MG) e Stage 234 (São Paulo, SP) entre janeiro e maio deste ano, Um Certo Azul na Sala tem produção do próprio Rafa Bicalho e foi mixado e masterizado por Rudigo Calixto. O álbum chega dois anos após a estreia de Cena 1, que colocou o artista na rota do indie pop brasileiro.

O mineiro apresenta as faixas ao vivo em duas datas em São Paulo: 14 de setembro no Tranquilo SP em uma performance mais crua com voz e guitarra, e 17 de setembro no Porta, em Pinheiros, com banda completa, além do show de Pedro Lanches.

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