Evento ocorreu nos dias 23 e 24 de maio, no Parque Ibirapuera
Evento ocorreu nos dias 23 e 24 de maio, no Parque Ibirapuera

O C6 Fest, festival organizado pelo Banco C6, realizou sua quarta edição neste final de semana, nos dias 23 e 24 de maio, no Parque Ibirapuera. A programação manteve sua curadoria impecável com nomes pedidos pelo público, mas que não se esperava que viessem ao Brasil tão cedo. De clássicos do indie, como The XX, a novidades, como Cameron Winter, o evento movimentou um grande número de pessoas em um final de semana frio e chuvoso.
O sábado começou em clima de preguiça, com poucas pessoas para presenciarem o show da banda Horsegirl que, felizmente, se apresentou no palco da Tenda, que era coberto. A vocalista, Penelope Lowenstein, até brincou com o público: “Vocês são malucos de virem para um festival com essa chuva.” Em seguida, a rapper Amaarae fez sua apresentação no palco Heineken, que era descoberto e também não recebeu muita gente por conta das chuvas.
Mais tarde, o clima começou a esquentar na Tenda com o britânico Baxter Dury e seu eletroindie. Ainda que a maior parte das pessoas que estava no show procurasse abrigo da chuva ou estivesse esperando a próxima banda que tocaria por lá, ele conseguiu cativar a plateia com suas faixas dançantes e ânimo contagiante.
A apresentação foi um aquecimento para o Wolf Alice. A banda, infelizmente, perdeu 10 minutos de show, mas compensou com as interações com o público e músicas que, ao vivo, são muito mais rock and roll do que quando as ouvimos nos fones de ouvido. É preciso destacar o carisma da vocalista, Ellie Rowsell, que hipnotizou o público com seus vocais. Foi a primeira vez da banda no Brasil e, pelo que parece, não será a última.
Para encerrar a noite, The XX entregou exatamente o show que todos esperavam, com o impacto extra das projeções enormes na arena. Às vezes, mais vale uma apresentação padrão e bem feita do que grandes invenções mirabolantes.
No domingo, uma mudança clara de público: menos jaquetas puffer, mais diversidade. Por um lado, o público do rock esperava ansiosamente a apresentação de Robert Plant - a melhor da noite, por sinal, competindo com Cameron Winter pelo pódio. Já a outra metade do público usava roupas coloridas e alternativas, muitos com maquiagem azul em homenagem ao duo Magdalena Bay.
O show da dupla, por sinal, foi marcado por falhas técnicas que deixaram os fãs desapontados. O som baixo e outros erros pontuais, como o keytar desconectado da caixa, trouxeram uma sensação de não ter atingido o potencial incrível dos shows do Magdalena Bay, que costumam ter visuais marcantes e imersivos. Ainda assim, as trocas de figurino e talento de Matt Lewin e Mica Tenenbaum seguraram a apresentação para algumas centenas de pessoas que chegaram cedo ao festival para prestigiá-los.
Já a francesa Oklou transformou a Tenda em festa absoluta, uma mistura interessantíssima de referências clássicas e eletrônicas, além de ter arriscado um discurso em português, cereja do bolo para os fãs. Outra apresentação marcada por homenagens ao país foi a de Lykke Li, que cantou em um português impecável a faixa Sozinho, composta por Peninha e eternizada na voz de nomes como Caetano Veloso e Tim Maia. Com muita fumaça no palco, a sueca fez uma ótima apresentação para quem estava interessado, mas teve dificuldade em conquistar aqueles que estavam de passagem - e trataram o show mesa de bar ou roda de conversa.
Por fim, outra revelação incrível do festival foi o talentoso Benjamin Clementine. A apresentação poética, teatral e intimista foi marcada pela potência da voz do inglês, que em determinados momentos transformou a tenda em uma experiência quase religiosa, que exigia atenção do público para perceber a sutileza dos detalhes.
Além da felicidade contagiante da maior parte das atrações, é preciso destacar a organização do festival, que distribuiu capas de chuva na entrada, colocou piso modular no palco principal para evitar a lama e investiu em pontos de hidratação e autoatendimento. Muitos funcionários da organização também estavam espalhados por todo o evento, e isso ajudou a melhorar o fluxo de pessoas entre um show e outro, dificultando aglomerações. Parece pouca coisa, mas detalhes como os citados ajudam a melhorar a qualidade de experiência do festival e o cansaço no fim do dia.
Outro ponto a ser debatido é a diferença de público em dois grupos: um que parecia estar interessado em bater papo durante os shows, tomava drinks e se concentrava no palco Heinekin; outro que gritava as músicas a plenos pulmões e permanecia no palco Tenda. Em alguns momentos, foi possível escutar pessoas pedindo silêncio durante as apresentações no palco principal, já que alguns grupos não paravam de conversar.
Mas isso não foi suficiente para apagar as apresentações brilhantes que aconteceram no C6 Fest. Depois de muita reflexão, foi estabelecido o top 5, na opinião da Rota Indie: Robert Plant, Oklou, Baxter Dury, Wolf Alice e The XX. A página não esteve presente nos shows do C6 Lab, portanto essa avaliação se refere apenas aos citados acima.
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