Vitor Brauer revela como concilia suas composições em meio às turnês de suas inúmeras bandas

Cantor e compositor participa da primeira edição da +um Tour

Do selo +um Hits, a +um Tour apresenta, em sua primeira edição, Vitor Brauer e a banda Chococorn and The Sugarcanes. Eles percorreram o Brasil, a Argentina e o Uruguai com shows de 14 de abril a 9 de maio.

Com a proposta de levar duas bandas pelo Brasil afora, o objetivo do projeto é democratizar o acesso à cultura, levando a nova produção musical brasileira a regiões onde a logística muitas vezes impede a chegada de bons shows da nova cena. 

Em entrevista ao Rota Indie, Vitor Brauer compartilhou detalhes sobre a logística de suas apresentações e composições — ele participa de diversas bandas, que vão do indie rock ao pagode —  além de revelar seus sentimentos em relação à nova turnê, que envolve uma banda formada por jovens após a pandemia, enquanto Brauer está na indústria musical desde 2014.

Você está com um projeto de realizar shows em todos os estados do país e gravar músicas com artistas de cada local. De onde surgiu essa ideia?

VB: Eu sempre rodei muito o país. Faço turnê nacional desde 2013 e fiz muitos amigos. Como é exemplificado nas minhas 500 bandas, sempre quis ter grupos musicais com os meus amigos, mas é fisicamente impossível. Então, acho que esse projeto é feito para dar visibilidade e também conhecer as cenas locais. Claro que só três meses em cada capital é pouco tempo, mas é o suficiente para fazer um disco, conhecer os lugares e a cidade, não só trabalhar. A minha carreira toda é esse projeto de conhecer as pessoas e os lugares, os ritmos, as culturas. Mas é mais por causa das pessoas mesmo.

Como você conecta seu projeto solo com todos os outros?

VB: Faço duas turnês nacionais por ano, em abril e agosto, e vou alternando. Continuo fazendo minhas músicas, tanto solo quanto dos projetos, mas tiro os primeiros seis meses para um e depois passo para o outro. Mesmo que seja longe, às vezes eu fico uma semana no estado do artista e faço. Vamos supor que vai ter uma turnê da Lencinho —  minha banda de pagode. Aí gravamos e compomos um disco antes, porque para o público e até para nós é importante fazer sempre um show novo. Assim, ganhamos dinheiro e também não fica chato: sempre tem música nova, coisa nova. 

Como era a cena independente quando você começou a fazer música? E atualmente?

VB: Eu cheguei na cena em uma época muito curiosa, no final das grandes gravadoras. Houve um breve período “fora do eixo”, que foi meio que uma tentativa de criar essa rede de cidades e pessoas que engloba meu projeto, mas isso acabou sucumbindo por conta de questões políticas, etc. Então, apareceram os streamings e eu vivi várias transformações. Mas a mais bizarra e curiosa foi quando começamos a banda — Lupe de Lupe —  e não tinha como gravar em casa. Os jovens de hoje já conseguem lançar discos com 18, 19 anos e nós fomos lançar o primeiro com 21, 22, gravando em estúdio. Era um saco.

Comparando antigamente com hoje em dia, atualmente existe uma liberdade muito grande e ela é muito democrática por conta da tecnologia. Por isso, os talentos são bem mais desenvolvidos. Acho que é bem melhor hoje em dia, lógico. E também a questão de circulação, comparando, acontecia por causa de pessoas como eu, de gente que roda e que não tem medo de compartilhar essa ideia com os outros. Os meninos perguntam: "Uai, onde que você gravou em Belém?” Aí eu falo: "Ó, nesse lugar aqui, fala com esse cara.” Então, é tudo em prol da cultura nacional, enquanto nós ganhamos dinheiro também. É tudo top: todo mundo fica feliz, tem espaço para todos. A tendência é só melhorar, eu acho.

Acha que a + um Tour tem algo diferente das outras turnês que você já fez?

VB: Sem dúvida. Primeiro, eu não tenho que fazer tudo. Eu estou aqui de patrão, acho até estranho. Fico suspeito de deixar tudo na mão dos outros, até falei: "Será que vai dar certo?" Mas já está dando certo. Eu vi que eles têm uma megaorganização louca que é muito mais avançada do que a do pessoal que faz tour só com a banda. Então, vai ser uma experiência muito boa e positiva para mim como pessoa. Eu adoro os meninos, já os conhecia de antes, mas aprender a largar o controle também é bom.

A minha vida só deu certo porque eu tive que ser controlador, resolver tudo. Sou um cara que gosta de resolver problemas. Então, é bom às vezes largar mão e falar: "Deixa a vida me levar mesmo, tá tudo bem. Vai dar tudo certo.”

Como você acha que será estar em turnê com a Chocorn and the Sugarcanes?

VB: Ah, vai ser engraçado, os meninos são muito novos. Eles também são muito tímidos, meio bichos do mato, iguais a mim. Mas eu sempre tive que ter um escudo de arrogância e de autoconfiança para conseguir me enfiar nos lugares. Pontuar o que eu sou, meu estilo e tudo mais. Como eles têm uma estrutura da +um Hits, rola uma liberdade maior para eles serem eles mesmos, ficarem mais fechados.

Acho que vai ser muito interessante também fazer eles saírem da caixinha um pouquinho e dizer: "Velho, não se leva tão a sério. Daqui a 20 anos vocês vão estar tocando essas merdas aí ainda. Fiquem tranquilos que a vida vai levando. Talvez vocês nem vão lembrar do dia de hoje, desse show. Então podem errar, é tranquilo.”

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